Barulho de Shuva


O Haiti e a “justiça” divina.

pimenta no olho dos outros é refresco

Tive um fim de semama diferente.

Tirando a parte de ter que fazer faxina em pleno sábado, coisa q não gosto, tive uma visita por parte da minha mãe que me fez subir o sangue.

Estava limpando a geladeira quando recebi alegremente  meus pais que hj moram no Rio e nos visitam quase todo fim de semana pois ainda se sentem enraizados aqui em Macaé. Trouxeram com eles um Pastor que eles gostam muito de trazer para pregar na igreja onde congregam aqui em Macaé, muito simpático como a maioria dos pastores que conheço.

Sentaram-se, ofereci-lhes água, chocolate, e tentei amenizar a bagunça que estava a casa por causa da faxina para que se sentissem confortáveis.

Conversando, alguém tocou no assunto da tragédia do haiti. Nessa hora estava mais atenta ao que estava fazendo do q a conversa. Estavam dizendo: Que triste! que tragédia!  Principalmente meu pai que sempre se abala mt com acontecimentos do tipo. Num dado momento o pastor virou para o meu pai com olhar de tristeza e disse: ” Mas tb né, vc viu? Era uma nação praticante de vudu…Deus sabe oq faz”  Senti meus pés adomecerem e o sangue subir, olhei para ele com ar que percebi nesse dia q meus pais já conhecem pois já esperavam que eu diria algo que contrário, e na mesma hora disse:  Oq??  Depois que ele repetiu oq disse sobre o vudu, peguntei: e daí, oq isso tem a ver com o terremoto? E começou a discurssão. Meu marido e eu pregando o amor e ele a “justiça”, por um bom tempo.

Perdoem meu pavio curto nessa hora. Talvez até seja um pouco de infatilidade pois em outro momento ou outro lugar talvez não discutiria, mas falar do povo que quando vejo na tv choro afirmando que eles mereciam o castigo de Deus, o Deus que é amor e autor da minha vida… na minha casa não!

 Mais pra frente pretendo organizar a discursão e falar de cada ponto. Mas ao final da conversa perguntei, já sabendo a reposta, onde ele pastoreava e então perguntei oq as ovelhas dele da Cidade de Deus fizeram pra merecer o castigo de viver as condições que vivem. Não obtive resposta.

Espítitas e hindús dizem: é Karma. Evangélicos dizem: é “justiça divina” ou “vontade permissa de um plano misterioso”. Não consigo ver muita diferença. Crueis e injustas são as duas.


Ânimo.

        Na certeza da incerteza, com certeza!  Se era 01, agora é 10. Se era 10 agora é 100, ou 1000. Acrescentado a insignificância que muito significa quando adiada para seu devido lugar, no tempo, depois do que sozinho significa.

         Fração de mim. Fatiada em mil desejos, unidos em um espaço de tempo só,o momento. O que unicamente é possível de desejar. O presente. Se ao menos soubesse o que ele é, e não apenas o que ele não é, talvez conseguisse compreender seu caminho e caminhar somente nele, e meu desejos se fariam reais. Afinal, de que adianta o desejo que não produz ondas em tempos reais, no presente? Desejo que não se realiza. Pois o futuro não é real, nem mesmo o passado pq não mais existe.

          Enquanto educo minha mente a ser presente e junto os pedaços de conscientes desejos para organizá-los em um, vejo beleza na distração que me faz perceber e canalizar apenas o belo. Enquanto não chego a deixar de ser quem não quero ser para enfim vir a ser quem realmente quero ser, procuro não me inquietar e, talvez, até beber meus últimos goles de devaneios, pq não?

Visitarei novamente meu castelo de pedras que divertia minha infância, buscarei coragem para encarar o urubu roxo da cabeceira para espantá-lo de uma vez por todas, desvendarei o mistério de todas as sombras que assustam minha criança. Viajarei nas cores que os sons têm. E no toque do aroma. E continuarei dançando, no palco da minha consciência, dançando.

          E que venham os necessários dias (os do encontro com tudo oq é interno) que precedem os dias bons! Dias de ar, de chão, de céu, de água… dia de cada elemento em seu devido tempo…dias de vida. No fluxo de vida.

          Dias de um dia de cada vez. Ânimo!


“O universo pulsa, descubra o seu ritmo.”

Receitinha despretensiosa
Ricardo Gondim

Se quiser viver, não adie. O imponderável se intromete na vida da gente. Como patas de um gato, as unhas do destino se alongam querendo estancar o curso de nossa história. O imprevisto é peçonhento e estraga os projetos mais queridos. Antecipe-se ao imponderável e beije, abrace, converse. O agora é estrela cadente, asteróide nômade. Faça cada instante valer uma eternidade. O já não passa de uma piscadela; o hoje, de fenda entre o ainda não e o que acabou.

Se quiser viver, não tema. Arrique-se. Decidir é vulnerar-se; querer, expor-se; desejar, atirar-se à mercê do outro. Ferida de decepção dói menos que desterro de inação. Todos os amantes carregam cicatrizes. Seus estigmas, mesmo antigos, são visíveis. Atreva-se a caminhar sem blindagem. Arranque o elmo. Jogue fora o escudo.  Não se enclausure. Não evite o olhar de quem lhe pede afeto. Seja terno com quem lhe espezinha.

Se quiser viver, não anseie. Sossegue. O possível, nem sempre o melhor, é matéria prima do contentamento. A alma implora por descanso. Reconheça os avisos do corpo quando avisa que as descargas hormonais desequilibram o metabolismo.  Dê um passo de cada vez. Espere pelo amanhã. Desista do controle dos circuitos, solte o cabo da nau. Não corra na frente da aragem que antecipa a madrugada. Basta a cada oportunidade o seu próprio mal. Tranquilize-se.

Se quiser viver, não fuja. Enfrente-se. As nódoas da alma podem transformar-se em câncro; as culpas, em fardos; as inadequações, em aleijões existenciais. Transgressão pode deixar de ser um pecado mortal. Aprenda com os seus tropeços. Cresça com as mazelas. Reconceitue humildade como coragem de admitir limites, fragilidades, incapacidades.

Se quiser viver, não escarneça. Ouça. Tradição é a história que os antepassados selecionaram para que amadureçamos. Os enganos de outrora não precisam ser repetidos. Não quebre a cabeça com teoremas já demonstrados. Poupe o coração de injunções aparentemente inéditas que os compêndios trataram exaustivamente. Atente para os provérbios populares. Escute os avós.

Se quiser viver, medite. Mire as conchas que a maré triturou, que pavimentam a praia; o ócio do leão, feliz com a prole bem alimentada; o sol que se fatiga no lusco fusco da tarde. Devagar, procure as entrelinhas da poesia, o imarcescível da narrativa, a dignidade da biografia. Escute, de olhos fechados, os violinos, as gaitas, os trompetes, os pianos, os realejos. O universo pulsa, descubra o seu ritmo.

Soli Deo Gloria


Ensaio de uma mente (superando o TDA-H)

Não gosto de rótulos. Mas me rotular de TDAH (Transtorno de Défcit de Atenção com Hiperatividade) me é bem mais conveniente do que me verem simplesmente como alguém “avoada” e desorganizada. Aliás, me senti tão aliviada em descobri que de fato minha falta de atenção e meu esquecimento são problemas neurológicos. Sempre tentei provar isso, mas como desconhecia o termo patológico, riam de mim. É claro que pensavam que era muito fácil colocar a culpa numa deficiência do que assumir uma irresponsabilidade.

Ter um blog será um desafio. Compromisso de postar pensamentos traduzidos em palavras periódica ou aperiodicamente, com certeza é uma dificuldade para mentes inquietas. Primeiro que compromisso exige atenção, organização, e ajuda muito quem tem facilidade de seguir regras e instruções, atributos que alguém que tem déficit de atenção dificilmente possui. Segundo que colocar no papel o que tem na mente é um baita de um desafio pra quem tem sensação interna de inquietude como o hiperativo, e pra quem evita atividades que exijam um esforço mental continuado como o TDA.

Cansada de deixar idéias se perderem durante toda a minha vida, pelejo agora contra a inquietude interna que não permitia continuar numa mesma atividade por muito tempo, nesse caso a de escrever.

Ecrever sempre me encheu os olhos. Compartilhar pensamentos, sentimentos e ideologias é algo realmente fascinante. Mas requer concentração, quietude e introspecção. Introspecção por incrível que pareça não é o problema, já que tenho um “q” de melancolia. Já os outros… never mind! Serão superados!

Este blog é abrangente. Uma viajem. Sem ácidos ou ervas…apenas com a viajante mente TDA. A estranheza de se sentir estrangeiro no mundo real, e ao mesmo tempo a felicidade de se sentir parte de tudo que é lindo, do Universo, de Deus.

Mistura de poesia, música, cores, política, cosmovisão, cultura e contra-cultura…assim como a vida!

Sejam bem vindos e sintam-se à vontade para compartilharem mentes!